International Association for Research on Textbooks and Educational Media

Articulação dos diversos recursos educativos numa inovadora prática letiva

Desafio lançado, em Lisboa, por uma associação internacional de pesquisa sobre manuais escolares e outros recursos educativos.

IARTEM

De 26 a 29 do corrente mês, na 14ª conferência internacional da IARTEM, realizada na Universidade Lusófona com a colaboração do CeiED, 150 participantes de paises europeus e de outros continentes debateram várias problemáticas, entre as quais a de que modo a coexistência de recursos digitais e recursos impressos potencia novas metodologias de aprendizagem ou apenas aumenta os recursos educativos sem mudança das práticas escolares.

As investigações apresentadas tenderam a confirmar a segunda hipótese acima mencionada, ou seja, de um acréscimo de recursos sem mudança na ação docente. Todavia foram apresentados alguns estudos apontando que, pelo menos, os meios digitais podem desenvolver uma oferta diferenciada de atividades e melhorar assim a atividade na sala e da cooperação professor/aluno. Nas sessões plenárias, um investigador viria a sublinhar uma linha orientadora que viria a ser reassumida por outros termos nas diferentes sessões paralelas: a de que os recursos e a sua variedade não trazem diretamente a qualidade educativa sem a empatia dos docentes para com os estudantes e sem uma focagem da ação educativa nas representações dos estudantes e sua interpretação face aos diferentes recursos.

No último dia, um dos fundadores da IARTEM lembrou que se é necessária uma mudança de uma pedagogia expositiva para uma pedagogia interativa e multimodal, essa mudança pode ser acelerada por uma mudança qualitativa na produção de recursos educativos, pois que os manuais escolares, recurso tradicional, sempre influenciaram de modo fundamental a prática educativa. Daí o desafio a todos os investigadores presentes no sentido de promoverem pesquisa que mostre como a inovação nos recursos educativos, na sua diversidade, pode desenvolver a curiosidade pelo conhecimento, renovar o interesse pela escola e simultaneamente influenciar a mudança na ação docente. 

O mesmo investigador propôs ainda a conjugação de manuais escolares mais leves (com um máximo de cem páginas) com a utilização de recursos digitais variados. E sugeriu a designação de recurso ergódico (em papel ou digital) como aquele que provoca a interação com o aluno pelas situações desafiadoras nele contidas. Um outro investigador sugeriu que essa flexível conjugação entre recursos em papel e recursos digitais contribuirá para resolver o problema do peso das mochilas escolares, lembrando que esse problema foi objeto de um documento assinado por um ator português e por um número significativo de intelectuais e que esse problema é debatido há vários anos, no CeiED, pelo grupo de investigação sobre manuais escolares e recursos educativos. Por outro lado, uma dezena de alunos de duas escolas secundárias, participantes num debate com um conjunto de investigadores de diferentes países, concordaram na sua maioria com essa articulação de recursos em papel com recursos digitais. Tratava-se de uma sessão paralela entre as oito salas temáticas que funcionaram nas tardes dos dias 27 e 28.

No dia 26, numa atividade que tem antecedido as várias as conferências da IARTEM, realizou-se o dia do doutorando ("PhDay") em que estudantes de vários países discutiram os seus projetos de investigação com dois "conselheiros", um da IARTEM e outro do Instituto de Educação da ULHT.

No dia 28 esteve presente o Secretário de Estado da Educação João Costa que expôs aos presentes o empenho ministerial numa flexibilização curricular e no aproveitamento dos recursos locais ao serviço de alguma autonomia das escolas.

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