Maria José Messias


Nota biográfica

Licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, com Pós-Graduação em Comunicação e Gestão Cultural na Universidade Católica de Lisboa, e Mestrado em Museologia na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, onde me encontro presentemente a frequentar o curso de Doutoramento em Museologia.

Sou sócia co-fundadora da Produtora Audiovisual Blackmaria, na qual, trabalho na área de coordenação, produção, planeamento de projecto e criatividade.

Grupo de investigação: Grupo 3 – Cultura, Memória e Território

Projeto individual de doutoramento

O impacto das tecnologias de informação e comunicação no discurso museológico e museográfico contemporâneo.
Título
Mário Moutinho
Orientador

O impacto das tecnologias de informação e comunicação no discurso museológico e museográfico contemporâneo. Resumo

Pretende-se analisar o impacto das novas tecnologias de comunicação e informação nas instituições museológicas. Será abordado o contexto nacional e internacional, procurando compreender quais os benefícios e principais alterações que o crescente uso das TIC trouxe às instituições, tanto a nível organizacional, como expositivo e comunicativo. Será feita uma análise do presente posicionamento e actuação das instituições museológicas num quadro de economia cultural global, e de qual o papel das tecnologias de comunicação e informação neste processo.

Partindo de uma revisão da literatura e através de estudos de caso, pretende-se determinar com que grau de sucesso e eficácia as instituições museológicas tem sabido tirar partido de todo o potencial comunicativo das tecnologias digitais e dos novos media, tanto na divulgação como na cativação e fidelização de públicos, e no sentido de favorecerem a fruição, a aprendizagem, a inclusão e a participação das suas audiências. Será analisada a forma como as TIC são utilizadas no espaço expositivo (storytelling, interactividade, imersão, oferta de possibilidades de interacção, participação, socialização, etc), como este processo evoluiu nas últimas décadas, quais as utilizações mais frequentes, e quais as tecnologias e propostas mais inovadoras (écrans digitais, smartphones, tablets, AR – Augmented Reality, iPod, RFID tag, biometria, smart rooms ou ambient intelligence, etc), assim como as tendências futuras. Será também observada a comunicação online das instituições através dos seus website e das redes sociais. Existe o interesse em abordar a diversificação de sistemas e suportes de distribuição e produção audiovisual e a concepção e desenvolvimento de produtos e de ambientes interactivos inclusivos, que permitam e estimulem um uso diversificado e abrangente.

No enquadramento geral da investigação serão abordadas questões relativas à globalização, às indústrias culturais, às mudanças sociais, ao paradigma da sociedade de informação e conhecimento, à literacia digital e sobre o papel das instituições museológicas na sociedade contemporânea. Será analisada a mudança de paradigma da comunicação do museu, que coloca o ênfase no visitante-utilizador, participante e criador, e não nas colecções.

O estudo relativo aos diferentes propósitos de uso das TIC em contexto museológico, será efectuado segundo cinco vectores preferenciais: Como forma de incrementar e facilitar a aprendizagem e a fruição; Como forma de lidar com o trauma / questões emocionais (memórias traumáticas, afectos, questões controversas); Como meio de favorecer a inclusão (de grupos desfavorecidos, minorias, necessidades especiais, etc); De promover a participação (na oferta de diferentes possibilidades de intervenção e criação); E como criação artística (media digitais como obra, para além de suporte, cyberart, media arte, etc.).

Serão analisados diferentes exemplos de uso das TIC em espaços museológicos distintos – alerto para o facto de que não se pretende desse modo elaborar um estudo em particular dessas instituições, nem das suas exposições – mas sim proporcionar um recurso ilustrativo numa perspectiva alargada de forma a oferecer um enquadramento geral do panorama de uso das TIC.

Pretende-se focar o trabalho de campo na perspectiva institucional (curadores, directores, técnicos), bem como nas perspectivas dos visitantes relativamente ao uso das TIC, com ênfase nos públicos mais jovens – a geração digital – os mais familiarizados com o uso de dispositivos tecnológicos e media digitais, tanto em ambiente escolar como nos tempos livres, como ferramenta educacional, comunicacional, recreativa e lúdica. Irá avaliar-se o impacto do uso das TIC como recurso museológico e museográfico nos públicos jovens, sendo uma das acções a desenvolver a criação de um laboratório experimental para a concepção de exposições em âmbito escolar com recurso ao uso das TIC.

Tendo consciência que a utilização das TIC irá continuar a expandir-se a todas as esferas da vida contemporânea, e também que as tecnologias evoluem e mudam muito rapidamente, pretende-se com o projecto de investigação determinar que estratégias de uso das TIC se tem revelado mais ajustadas às necessidades e capacidades das instituições culturais e quais as principais tendências futuras.

As principais questões a colocar são:

  • Tendo em conta as novas possibilidades tecnológicas, de que forma as instituições promovem, e tiram partido da possibilidade de diálogo directo com os seus públicos e os habilitam a participar, a partilhar e com eles debater e co-produzir novos conteúdos?
  • Favorecem a interacção e partilha de conhecimentos entre visitantes? E entre os visitantes e a instituição?
  • Existe uma comunicação multidireccional, interactiva e colaborativa? Estarão os atuais espaços museológicos a ser também moldados pelos seus utilizadores?
  • Serão mais inclusivos? Para públicos de diferentes origens e interesses?
  • Estão os museus a tirar partido das possibilidades e potencial das tecnologias digitais no sentido de promover a aprendizagem no museu? De expandirem os seus públicos e de criarem elos com outras instituições e em particular as ligadas ao ensino?
  • Quais serão as formas apropriadas de tirar partido dos media digitais ao serviço da preservação, representação, interpretação e disseminação do património cultural? E qual o impacto dos media digitais nos conteúdos que se propõe a comunicar?
  • Como tirar o melhor partido da tecnologia mantendo a integridade do património, dos artefactos e dos locais, manter o sentido de distanciamento temporal e da diferença interpretativa no passado e no presente?
  • Como lidar com o uso dos media digitais como ferramentas de interpretação, educação ou como arte, e com a natureza imaterial dos objectos digitais?
  • Como respondem os visitantes às tecnologias digitais? E em particular os públicos jovens?
  • Terão as instituições culturais um papel mais político e interventivo, estimulando e influenciando também a participação das suas audiências?