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Participação de Pablo Gentili na Conferência Internacional – Universidade de Coimbra: “O futuro das ciências sociais e as ciências sociais do futuro”

Na continuidade, em sua trajetória de participação em debates sobre as Ciências Sociais, o Professor Pablo Gentili, Secretário Geral do CLACSO, esteve presente no dia 16 deste mês, na Conferência Internacional “O futuro das Ciências Sociais e as Ciências Sociais do futuro”, realização do Centro de Estudos Sociais (CES) no auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).


A mesa de abertura teve a participação da diretora da FEUC, Professora Teresa Pedroso de Lima que abriu a sessão, e nesse momento citou a “esperança numa sociedade mais solidária e sustentável para o futuro”. Integrou essa mesa, o Reitor da Universidade de Coimbra, Professor João Gabriel Silva que  agradeceu a presença de todos e o orgulho em hospedar a conferência internacional. Referiu-se à dualidade de interpretação entre o papel econômico da ciência e seu papel social.  Ao final de sua fala, agradece e homenageia a Boaventura de Sousa Santos, ao sublinhar que “não há dúvida de que as ciências sociais são fundamentais para a continuidade da universidade”. “Como as sociedades são cada vez mais complexas, as universidades tem o desafio de conhecer cada vez mais essa complexidade, efeito econômico quase imediato das ciências”. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, destaca no seu discurso a frente de mais de 300 participantes, para a necessidade do envolvimento da sociedade civil, e “não apenas dos cientistas sociais, em debates desta natureza”. Diz que Portugal está a “valorizar e aumentar o financiamento nas Ciências Sociais para combater o isolamento social da ciência.”

Em continuidade, é homenageado o Professor Boaventura de Sousa Santos pelo Professor Pablo Gentili, que lhe entrega uma oferta, símbolo de sua enorme contribuição ao campo das Ciências Sociais: o Prêmio Latino Americano e Caribenho de Ciências Sociais. Neste momento, fez uso da palavra o Professor Boaventura que agradece e contempla em seu discurso uma análise da conjuntura internacional, em particular, os efeitos sobre a Europa em questões como a crise europeia e a autonomia, o Brexit. Aponta que essa situação não é nova, começando no início deste século. “Os capitalistas gostaram disso”, menciona. Também, aponta para a necessidade de “estarmos fora do capitalismo acadêmico” e de “enfrentarmos juntos a luta pela justiça e igualdade social na América Latina”. Quanto ao seu posicionamento sobre o futuro das ciências sociais posiciona-se que as ciências não tem importância econômica e diz que esse debate precisa ser ampliado ao citar Almada Negreiros, “a ciência precisa de um tempo…”. Precisamos de mais conhecimento com valor econômico, mas também precisamos de ciência sem valor econômico, destaca Boaventura.

Godwin Murunga, convidado internacional, secretário-geral do Conselho para o Desenvolvimento das Ciências Sociais em África (CODESBA), apelou à solidariedade entre os continentes atlânticos de modo a prosseguir com as parcerias. Frisou ainda a importância de repensar as ciências sociais “num ponto de vista pan-africano” e fez uma crítica aos políticos africanos, “que são muito céticos em relação às ciências sociais”. Na sequencia dos discursos e como última intervenção, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pablo Gentili, inicia sua fala com “Lula Livre!”, o que foi motivo de aplausos pelos presentes. Cita Boaventura, enaltecendo seu papel agregador nas Ciências Sociais nos três continentes: Europa, África e América Latina. As Ciências Sociais serviram no mundo como espaço de reflexão crítica sobre as desigualdades, sublinha Pablo. No continente latino-americano, sem guerra morreram mais pessoas do que na Síria, diz o professor, sendo que nos momentos ditatoriais na AL, as ciências sociais muito contribuíram para a compreensão desses períodos de exceção e tortura, inclusive no Brasil durante 21 anos. Pergunta o professor: “para que faremos Ciências Sociais no futuro?” E declara: “as CS não tem como não ser ciência militante ao intervir ativamente na transformação do mundo”. Cita Boaventura e descreve as Ciências Sociais como antirracista, anticolonial, que se reconhece na produção de saberes, focada nas comunidades transnacionais. Ao concluir, acentua a importância de resgatar a concepção de universidade na perspectiva da inclusão, lembrando os dados do governo de Lula da Silva que estendeu as matrículas nesse nível de ensino, em 2003, para 60% de alunos oriundos de famílias com acentuado nível de pobreza. Hoje há um ciclo global reacionário e o desafio é “como pensar uma ciência progressista?”, encerra Pablo Gentili.