CEM: Cultura(s), Educação e Memória(s)

Apresentação

Pensar como recordação evoca a ideia de recuperarmos o passado humano. Procuramos no movimento da duração, compreender o que fica entre um antes e um depois. Neste devir não natural é necessário recuperar a consciência da realidade cultural e civilizacional. A cultura onde estamos inseridos exerce sobre nós a acção de tornar (in)civil, imprimindo valores que dignificam o fazer humano. Esta influência exerce-se no tempo e em contextos onde se manifestam diferentes poderes e saberes. Nem a cultura é estática, nem é inseparável das relações de poder. É por isso que a educação não consiste na transmissão da cultura de forma abstrata e mecânica, independentemente da valorização da condição humana que se queira fazer. Temos que estar atentos às relações de poder que se estabelecem nas relações sociais ao longo da vida, na escola e fora da escola (educação formal e informal), pois elas constituem-se como diferentes espécies de capital (cultural, simbólico, social e económico) que definem posições e estatutos. A educação precisa de ser questionada, não só na sua função técnico-didática, mas também na sua função socializadora. Neste sentido podemos dizer que importa analisar a inteligibilidade da topografia do saber e do poder. Precisamos de construir uma memória analítica e crítica que capitalize o conhecimento com o que foi realizado. O conhecimento que resulta do que fizemos no passado não pode ser delapidado. Não se pode separar o conhecimento do que já é conhecido do conhecimento do que há a conhecer. O pensamento histórico está na apreensão que fazemos do processo, está no fazer com que o passado se torne vivo.

Nesse contexto, o Núcleo Cultura(s), Educação e Memória(s) tem por objectivos:

  1. Contribuir para o dever de memória, procurando nos silêncios submersos a ligação do presente-passado, o contínuo-descontínuo, a tradição-inovação;
  2. Interpretar no lugar da memória o conhecimento problematizador que possibilite a promoção da consciência crítica do fazer humano;
  3. Discutir a relação entre cultura, educação e memória de forma multidisciplinar e interdisciplinar;
  4. Produzir novos conhecimentos, privilegiando fontes primárias e arquivos pouco trabalhados e períodos comemorativos e efemérides;
  5. Desenvolver o interesse pela investigação em história da educação a nível de pós-graduações;
  6. Preparar novos investigadores.

Compõem o Núcleo investigadores do CeiED, de Portugal, do Brasil e de Angola, que trabalham esta temática em diferentes abordagens.

Coordenação

  • José Brás
  • Maria Neves Gonçalves

Investigadores

  • Aline Paiva Pacheco
  • Andressa Leoni L. Silva Borges
  • António Carmo
  • Ernesto Candeias
  • Joana Quinta
  • Jorge Cardoso
  • José Robson Almeida
  • Maria Neves Gonçalves
  • Silvanya Romeu
  • Valeria Godoi
  • Teresa Ramilo