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Doutoranda em Sociomuseologia participa no IX Foro Ibérico de Estudios Museológicos em Madrid
A investigadora Paula Fiúza, doutoranda em Sociomuseologia, participou em setembro no IX Foro Ibérico de Estudios Museológicos, realizado em Alcalá de Henares, Madrid (Espanha).
Durante o encontro, Paula apresentou a comunicação intitulada “Memória Afetiva como Território de Escuta e Reconexão: caminhos para ressignificar fronteiras e narrativas no museu”, na qual refletiu sobre o papel da memória afetiva na ressignificação de fronteiras simbólicas, espaciais e identitárias no campo museológico.
A proposta, ancorada na Sociomuseologia e na Museologia Social, parte da compreensão de que os museus, mais do que instituições de preservação, são territórios vivos onde memórias coletivas e experiências singulares se cruzam, revelando tensões, silêncios e possibilidades de reconexão.
Inspirada nos escritos de bell hooks, especialmente na obra Tudo sobre o amor, e nos saberes comunitários que reconhecem o afeto como força estruturante, a investigadora defende que escutar é também uma forma de reconstruir vínculos e produzir pertença em contextos marcados pelo deslocamento, pela fragmentação e pela exclusão.
Na sua perspetiva, o território museológico deve ser entendido como um espaço de atravessamentos — físicos, afetivos e simbólicos — onde o reconhecimento das subjetividades se torna condição essencial para a construção de narrativas mais justas e enraizadas.
A Memória Afetiva é apresentada como um dispositivo metodológico e epistemológico capaz de revelar camadas de sentido que frequentemente escapam aos modelos expositivos tradicionais. Ao valorizar histórias que circulam fora dos acervos institucionais, a proposta reposiciona o museu como espaço de negociação entre diferentes formas de estar no mundo, reconhecendo a dignidade das vozes muitas vezes marginalizadas.
Inserida no eixo temático “Fronteira, território e memória”, a comunicação destacou como a escuta e a afetividade podem romper dicotomias como centro e margem, passado e presente, presença e ausência, defendendo a coexistência de múltiplas camadas de memória e pertença na construção de um museu mais atento às histórias e aos tempos das pessoas que o habitam.