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Inclusão excludente: tese revela aprovação sem aprendizagem em escolas do Corredor da Ferrovia Carajás – Maranhão – Brasil

Crianças do ensino fundamental dos municípios cortados pelo Corredor da Estrada de Ferro Carajás, no estado do Maranhão, Brasil, estão avançando de ano sem aprender o conteúdo básico necessário. Essa constatação é o ponto de partida da tese de Doutoramento em Educação do Altemar Lima, defendida em 1º de julho na Universidade Lusófona, em Lisboa. A pergunta que norteia o trabalho é: quais as explicações para o insucesso escolar no Corredor da Estrada de Ferro Carajás?

A investigação, de natureza mista e caráter exploratório, teve como foco o Corredor da Ferrovia no estado do Maranhão. Orientada por Manuel Tavares, teve como objetivo desvelar as causas do insucesso escolar, a partir da visão dos Dirigentes Municipais de Educação, principais sujeitos da pesquisa. O estudo fundamenta-se na sociologia da educação, com base no materialismo histórico-dialético, nas epistemologias do Sul e, de forma complementar, na teoria do sistema-mundo.

O autor denomina “inclusão excludente” o modelo educacional que universaliza o acesso à escola pública fundamental, mas nega aos segmentos populares o domínio do saber socialmente legitimado, por meio da aprovação sem proficiência. A progressão automática é vista como uma forma de seletividade que oculta o insucesso escolar. Embora promova o acesso, não garante a aprendizagem. Avaliações nacionais, como o SAEB, acabam sendo instrumentalizadas por interesses políticos locais, mascarando a realidade e comprometendo o futuro de muitos alunos das camadas populares.

A tese aponta que fatores socioeconômicos, como o trabalho infantil, o desemprego, a fome e outras adversidades, afetam diretamente o desempenho e a aprendizagem. A partir da teoria decolonial e do sistema-mundo, analisa como a escola pública no Corredor da Ferrovia contribui para a reprodução das desigualdades sociais, e denuncia o enclave mínero-exportador como vetor de exclusão.

O estudo identifica três dimensões do insucesso escolar: a sociológica (exclusão histórica do acesso à educação), a epistemológica (deslegitimação dos saberes originários) e a pedagógica (educação acrítica e descontextualizada). Inspirado em autores como Paulo Freire, Boaventura de Sousa Santos, Wallerstein, Quijano, Manuel Tavares, António Teodoro, Ana Benavente, Jessé Souza, entre outros, Altemar Lima defende uma educação decolonial, que valorize saberes locais, enfrente o racismo estrutural e combata a lógica da reprodução das desigualdades sociais.

Além de denunciar o insucesso escolar no Corredor da Ferrovia Carajás, a tese propõe reacender o debate sobre o problema e suas novas formas, tanto no meio acadêmico quanto nas escolas.

O trabalho é um alerta e um convite à reflexão: o insucesso escolar, embora pouco discutido, permanece como uma mácula na educação destinada aos segmentos populares, é “uma questão antiga e um proble cma novo”, disfarçado pelas altas taxas de aprovação, mas revelado pelos baixos índices de proficiência.

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