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Eventos

Abertura do ano letivo 2026-2027: educação popular e democracia em debate

O ano letivo 2026-2027 arrancou na Universidade Lusófona com dois momentos de reflexão sobre o papel da educação na construção e na defesa da democracia.

Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração: homenagem a Frei Betto

A abertura do ano letivo da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração (FCSEA) realizou-se a 21 de outubro, no Auditório Agostinho da Silva, e foi dedicada ao o frade dominicano, jornalista e escritor brasileiro Frei Betto, que esteve presente. A sessão incluiu a exibição de um documentário sobre o ele e a educação popular, seguida de uma intervenção de António Teodoro, Diretor do Instituto de Educação e do CeiED, intitulada “Educação Popular e Democracia no Brasil e em Portugal – ontem e hoje”.

Partindo de uma memória pessoal do primeiro Fórum Mundial de Educação, realizado em Porto Alegre em 2003, o orador recordou o momento em que Frei Betto assumiu funções no Programa Fome Zero, no início do primeiro Governo Lula. Foi a partir desse episódio que questionou o papel da educação popular na construção e na defesa da democracia, no Brasil e em Portugal.

Retomando a obra de Paulo Freire, defendeu a educação popular como prática de emancipação, que reconhece todas as pessoas como sujeitos de conhecimento e de transformação. Lembrou que, tanto em Portugal, após o 25 de Abril, como no Brasil, a educação foi pensada como parte de um projeto democrático que não se esgota nas eleições. Sublinhou também que mais escolarização não significa, automaticamente, mais consciência democrática, e que o conhecimento, por si só, não imuniza contra o autoritarismo. Por isso, acrescentou, não basta pedir mais educação: é preciso perguntar que educação, para quê e com que relação com o conhecimento, a justiça e a democracia.

Na conclusão, defendeu a educação como bem comum e como compromisso com a democracia, capaz de transformar “conhecimento em compreensão, compreensão em consciência e consciência em responsabilidade” por um mundo comum.

Instituto de Educação: conferência-debate com Cristiano Gianolla

No dia seguinte, 22 de outubro, o Instituto de Educação assinalou o início do ano letivo com uma conferência-debate com Cristiano Gianolla, investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, onde é vice-coordenador da linha de investigação «Democracia, Justiça e Direitos Humanos».

A sessão de boas-vindas contou com intervenções de António Teodoro, Diretor do Instituto de Educação, e de António Costa Pinto, Diretor da FCSEA.

Doutorado em Sociologia e Ciência Política pela Universidade de Coimbra e pela Universidade de Roma – Sapienza, Cristiano Gianolla investiga democracia, pós-colonialismo, populismo, diálogo intercultural, cidadania e migrações. Coordena projetos europeus no âmbito do Horizon Europe e é autor e coorganizador de seis livros, entre os quais a monografia Decentring Liberal-Democracy through Duty and Intercultural Democratisation (Palgrave Macmillan, no prelo, acesso aberto).

A conferência, intitulada «O “dever” como elo de resistência e reinvenção democrática face à pedagogia da hierarquia autocrática», refletiu sobre o papel do dever na resistência e na reinvenção democrática perante as hierarquias autocráticas. A sessão terminou com um convívio-lanche.