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I Jornadas sobre Formação de Professores promovem reflexão sobre a articulação entre universidade e escolas
No passado dia 30 de junho de 2026, a Universidade Lusófona acolheu as I Jornadas sobre Formação de Professores – Pontes Docentes: diálogos entre a formação da docência, a docência em formação e a docência em exercício uma iniciativa organizada pelo CeiED com o objetivo de promover a reflexão sobre o papel de cada interveniente no processo de formação docente e de fortalecer a articulação entre a universidade e as escolas. Estas I Jornadas reuniram diretores de curso, docentes, professores cooperantes e estudantes de todos os mestrados em ensino da Universidade Lusófona, em funcionamento e já submetidos ao processo de acreditação, bem como do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão.
As Jornadas contaram com a apresentação de três painéis: o primeiro, intitulado A Tríade da Formação; o segundo, Referencial Comum de Formação de Professores; e, por fim, o terceiro painel, O que nos une?. O evento contou ainda com a presença da Professora Ana Isabel Andrade, que participou como keynote speaker, apresentando a conferência Desafios da Supervisão Clínica e Pedagógica. Para além disso, realizaram-se dois workshops: o primeiro, Práticas de Orientação e Investigação-Ação; e o segundo, O Chão da Escola: Gestão, Ambientes e Inovação.
Ao longo das Jornadas, foi evidenciada uma mensagem central: a formação inicial de professores necessita de coerência e exigência, mas, sobretudo, de dispositivos formativos significativos que deem sentido ao aprender a ensinar e sustentem uma identidade profissional capaz de responder a contextos reais, complexos e variáveis. Neste âmbito, foi sublinhada a importância de uma formação orientada por propósito, compromisso com a profissão, transformação dos contextos educativos e responsabilização, num momento em que o sistema enfrenta desafios estruturais que tornam ainda mais relevante a clarificação do que é essencial e comum na formação docente.
As intervenções destacaram igualmente a complexidade do conhecimento profissional docente, entendido como um saber que se constrói e reconstrói ao longo do tempo, articulando conhecimentos sobre os conteúdos, os alunos, o currículo, a organização escolar, o contexto social e a própria identidade profissional. Neste contexto, foram debatidas as tensões associadas aos processos de acreditação e qualificação, salientando-se a importância de assegurar percursos formativos coerentes que evitem fragilidades na preparação dos futuros professores.
A prática supervisionada e o estágio foram apresentados como elementos centrais da profissionalização docente, reforçando-se a necessidade de uma parceria sólida entre a universidade e as escolas, bem como de processos estruturados de acolhimento e acompanhamento dos estudantes. Foram ainda destacadas estratégias como a observação de aulas, o feedback, a escrita reflexiva, o trabalho colaborativo e o desenvolvimento de competências de investigação pedagógica, sendo enfatizada a relevância do diálogo profissional supervisivo e das condições necessárias para que este se concretize com qualidade.
Outro dos temas em destaque foi o referencial comum para a Formação de Professores da Universidade Lusófona, apresentado como um elemento agregador dos diferentes mestrados em ensino. Neste âmbito, foram discutidas finalidades partilhadas da formação, como a construção da identidade profissional docente, a dimensão relacional e humana do cuidado, a capacidade de adaptação aos diferentes contextos de estágio e a valorização da investigação e da inovação como dimensões constitutivas da profissão docente. Foi igualmente defendida a necessidade de instrumentos comuns que permitam estruturar, acompanhar e avaliar os processos de formação.
Por fim, foi sublinhada a importância do relatório de estágio enquanto instrumento de construção de conhecimento profissional, articulando a prática, a reflexão e a produção de conhecimento. Neste contexto, foi ainda reforçada a necessidade de valorizar o papel dos professores cooperantes no processo de profissionalização docente e de fortalecer as redes de colaboração entre a escola e a universidade, promovendo práticas supervisionadas de qualidade, sustentadas por um referencial comum e por uma visão da docência comprometida, humana, adaptativa e intelectualmente exigente.