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Notícias

Dia Internacional da Mulher 2025

O CeiED celebra o Dia Internacional da Mulher e, como tal, partilha 3 comentários de investigadoras do Centro quando confrontadas com a questão “Como é ser uma mulher na Academia?”.

Eis as suas Respostas:

Sónia Cardoso, investigadora integrada do CeiED

“Ser mulher na academia é uma experiência complexa, feita de desafios, mas também de muitas conquistas. Apesar do maior acesso das mulheres ao ensino superior e à investigação, a realidade ainda está longe de ser verdadeiramente igualitária. Muitos dos obstáculos não são explícitos, mas estão presentes no dia a dia – desde a necessidade de provar constantemente competência, até à dificuldade em alcançar posições de liderança.

Ainda persiste a ideia de que certas áreas do conhecimento são mais “adequadas” para mulheres, enquanto outras, sobretudo as ciências exatas e tecnológicas, continuam a ser vistas como territórios masculinos. Esta divisão implícita pode afetar oportunidades de financiamento, a forma como o trabalho de investigação é reconhecido e até a progressão na carreira. Para além disso, as mulheres acabam muitas vezes por ficar com tarefas menos valorizadas dentro da academia, como apoio aos estudantes ou funções administrativas, enquanto os homens são mais incentivados a focar-se na investigação e publicação – aspetos que mais pesam para a progressão académica.

O assédio, por sua vez, é um problema que tem vindo a ganhar mais visibilidade, mas que ainda está longe de ser erradicado. Muitas mulheres continuam a enfrentar situações de abuso – seja sexual, moral ou de outra natureza – e, apesar de hoje haver mais denúncias do que no passado, o medo de represálias, a descredibilização das vítimas e a falta de confiança nos mecanismos institucionais fazem com que muitas situações permaneçam impunes. A impunidade de alguns perpetradores e a normalização de certos comportamentos perpetuam um ambiente académico onde ainda há muito a mudar.

É essencial que a academia evolua para um espaço onde mulheres e homens tenham oportunidades verdadeiramente iguais. Isso passa pelo fortalecimento de redes de apoio, pela implementação de políticas eficazes e, acima de tudo, pela mudança da cultura institucional – para que talento e mérito sejam reconhecidos independentemente do género.”

Leanete Thomas Dotta, investigadora integrada do CeiED

Ser mulher na academia é um desafio, mas também uma oportunidade imensa de crescimento e transformação. É uma experiência intensa, que exige resiliência e uma visão clara sobre o que realmente importa. Entre a investigação, o ensino, candidaturas a financiamento, há dias caóticos — mas também há dias em que percebemos o real valor do que fazemos.

Enfrentamos barreiras — algumas explícitas, outras subtis — mas há também um movimento crescente de mudança. Somos cada vez mais protagonistas, ocupamos mais espaços de decisão e acabamos por promover a renovação dos modelos institucionais.

Ser mulher na academia é uma jornada exigente, mas recompensadora. É ter o privilégio de trabalhar com o que nos apaixona, de contribuir para o desenvolvimento da sociedade e de abrir portas para as que virão depois de nós. Sim, há desafios. Mas há, sobretudo, um enorme potencial para construir uma academia mais equitativa, inovadora e significativa.

Vanessa Russo, investigadora júnior do CeiED

Ser mulher na academia não é fácil, sobretudo quando o contexto ainda é marcado por uma presença maioritária de homens mais velhos, que durante anos ocuparam os espaços de decisão e definição de caminhos. Neste contexto, fazer parte da equipa editorial da Revista Lusófona de Educação é um passo significativo, mas que não apaga os desafios diários de ter de conquistar espaço, voz e reconhecimento num meio que, tantas vezes, ainda resiste à mudança. É importante, na academia, investigar com e para mulheres, contribuindo para que a ciência reflita as vidas e as experiências de todas e todos.