Notícias
Estudo Covid-19 – OP.Edu (CeiED-CES) na revista Sábado, Dossiê CoronaVirus Este é que é o novo mundo do ensino. Ana Benavente | Rui Machado Gomes
“Ana Benavente, sempre foi mais adepta de deixar para a escola as aprendizagens formais e para casa a reflexão sobre o mundo ou a participação nas atividades domésticas. “À escola o que é da escola”, diz a antiga governante. Mas e agora que a casa se tornou na escola? Os mais de 6 mil inquéritos online respondidos à equipa de Ana Benavente, Paulo Peixoto e Rui Machado Gomes, no Observatório de Educação e Formação, têm apontado para inúmeras desigualdades neste “empurrar para casa”, como define à SÁBADO a investigadora. Uma delas é o contexto. “Supõe-se que toda a gente tem uma casa, cada um com o seu quarto e que pode estar no seu horário a fazer os trabalhos. Não é assim que as coisas se passam”, refere Ana Benavente. “As pessoas, sobretudo na cidade, vivem em casas muito pequenas. E já há muitas mães a desistirem por cansaço, porque conciliar dois filhos com teletrabalho se está a tornar insuportável”, conclui. Mais dois dados dos inquéritos do observatório: “41% dos pais envolveram-se mais no estudo dos filhos do que se envolviam anteriormente”, destaca Rui Machado Gomes. “Mas, no caso dos funcionários públicos, esse envolvimento fortíssimo foi pago com enorme stress”. E são novamente as mães quem mais tem assumido esse papel. “O que cria outras desigualdades”, diz Ana Benavente: “Há mães que conseguem apoiar os filhos na escolaridade do 2º e do 3º ciclo, outras que não, porque não têm escolaridade nem conhecimentos.” (…) Mais uma evidência: as escolas não estavam preparadas para fazerem esta transição. “Temos uma escola muito tradicional, como no século XIX, com pedagogia expositiva, onde se ensina a todos ao mesmo tempo a mesma coisa”, considera Ana Benavente. “O que se procurou foi fazer uma má imitação de escola”, completa. (…) Ana Benavente recorda que esta é uma solução para quem pode pagar (ter explicações). E desse modo, quem não pode tem mais uma desvantagem – sobretudo quando se apresentar a exame. “Esta obsessão política de mantê-los, dá ao exame um poder mágico ignorando outras questões. Os mais novos, que estão no 4º e no 6º ano, são quem mais sofre com a falta de sociabilidade. Estão cheios de pena de não reverem os colegas”. (…) “Partiu-se da ficção de que todos teriam acesso fácil a esses recursos” (tecnológicos), aponta Rui Machado Gomes.”
Fonte: Revista Sábado, nº 837, 14 a 20 de maio